O Mistério do Futebol - L. F. Veríssimo

      Hoje começa a Copa das Confederações no Brasil e meio sem querer, meio querendo, as postagens do blog no mês de junho ficaram concentradas no tema 'Futebol'. Mas não se preocupem, não vou chegar ao ponto de dedicar uma postagem à caxirola.       
     Então, ao invés de uma crônica de viagem, uma crônica sobre a paixão nacional: "O Mistério do Futebol".





        Começa quando a gente é criança. Quando qualquer coisa - até o corredor da casa - é um campo de futebol e qualquer coisa vagamente esférica é a bola. Se é genético, não se sabe. Um brasileiro criado na selva por chimpanzés, quando se pusesse de pé, começaria a fazer embaixadas com frutas, mesmo sem saber o que estava fazendo? Não se sabe.
        Nenhum prazer que teremos na vida depois, incluindo a primeira transa, se iguala ao prazer da primeira bola de verdade. Autobiografia: sou do tempo da bola de couro com cor de couro. A oficial, número 5. Ganhei a minha rimeira com cinco ou seis anos. Ainda me lembro do cheiro. Depois de ganhá-la, você ficava num dilema: levá-la para a calçada e começar a chutá-la, ou preservar o seu couro reluzente? Uma bola futebol de verdade era uma coisa tão preciosa que se hesitava em estragá-la com o futebol.
        Futebol de calçada. O tamanho dos times variava. De um para cada lado a 14 ou 15 para cada lado. Duração das partidas: até escurecer ou a vizinhança reclamar, o que acontecesse primeiro. Nada interrompia as partidas. Ninguém saía. Joelho ralado, a mãe via depois. Gente passando na calçada que se cuidasse. Só se respeitava velhinha, deficiente físico e, vá lá, grávida. Os outros não estavam livres de ser atropelados. Quem mandara invadir nosso campo?
      Comparado com calçada, terreno baldio era estádio. E terreno baldio com goleiras, então, era Maracanã. As goleiras podiam ser feitas com sarrafos ou galhos de árvore. Não importava, eram goleiras. Um luxo antes inimaginável. O prazer de acertar um chute no ângulo da goleira. Qualquer goleira. O que pode se comparar, na experiência humana? Ou na experiência humana de um brasileiro?
          Todos estes prazeres passam - com o tempo e as obrigações, com a vida séria, com a barriga - mas o amor pelo nosso time continua. Confiamos ao nosso time a tarefa de continuar nossa infância por nós. Passamo-lhe a guarda dos nossos prazeres com a bola. A relação com o nosso time é a única das nossas relações infantis que perdura, tão intensa e irracional quanto antes. Ou mais.
          De onde vem isso? Que tipo de amor é esse? Um mistério. Dizem que no fundo é uma necessidade de guerra. De ter uma bandeira, ser uma nação e arrasar outras nações, nem que seja metaforicamente. Psicologia fácil. Não explica por que a pequena torcida do Atlético Cafundó, que nunca arrasará ninguém, continua torcendo pelo seu time. Talvez o que a gente ame no futebol seja o nosso amor pelo futebol. Isso que nos faz diferentes dos outros, que amam o futebol, mas não tanto, não tão brasileiramente.
            Ou talvez o que a gente ame seja justamente o mistério.

Texto publicado no Jornal Marca da CAL abril de 2007

Dia de sorte na Vila Belmiro



         Lá fomos nós pela segunda vez visitar o campo do time para o qual 'não' torcemos, desta vez para acompanhar um santista, meu sobrinho. Os planos eram fazer como na vez anterior: pegar a linha turística e fazer a visita guiada ao estádio. 


             Antes do ônibus parar percebemos o tumulto em torno do campo parecendo dia de jogo. Embora não soubesse de jogo do Santos nesse dia, meu sobrinho e meu marido já ficaram animados pensando na possibilidade de assistir à partida. Não era jogo, era o encerramento das comemorações do centenário do Santos F. C. que nesse dia completava 101 anos.


             Como estava sendo realizado um evento patrocinado pela Red Bull, não havia visitas guiadas nesse dia e o estádio tinha entrada livre ao público. Lá fomos nós, de gaiatos, assistir sem saber o quê. Era  a escolha do "Príncipe da Vila", cento e um meninos tinham quatro chances de chute em placas numeradas na arquibancada, quem fizesse o maior número de pontos seria coroado o novo príncipe, por Neymar!


               Ele até que tentou dar os seus chutes também, mas não acertou nada. Foi perdoado porque no dia anterior tinha feito quatro gols no jogo do Santos contra o União Barbarense. De qualquer forma era o Neymar ali diante de um santista que só queria conhecer o campo do seu time e deu muita sorte!!


            No evento também estavam as líderes de torcidas, os mascotes, teve show de embaixadinhas e MC Cosme (nunca tinha ouvido falar) cantando o Funk do Neymar (muito menos). Mas eu sou adaptável, se tem alguém que eu amo se divertindo, eu me diverto junto. Só não me peça para aprender a cantar o funk, mesmo porque seria impossível, eu só entendia que de vez em quando apareciam as palavras 'Neymar' e 'Vila' na música, na apresentação.


              Foi legal! E depois da coroação, encerramos a visita na loja dos uniformes do Santos, claro. Qual é o torcedor que não quer levar uma lembrancinha direto do estádio de seu time? Eu também trouxe algumas quando estive no Morumbi.


              Para ver  o vídeo e as fotos oficiais do evento no site da Red Bull. Clique aqui.



Turismo ecológico e sustentável

              Desde 1972, no dia 05 de junho comemora-se o Dia Mundial do Ambiente, a data foi escolhida para lembrar o início a Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente. E o que isso tem a ver com turismo? Tudo! Turista inconsciente e 'sujão' está definitivamente fora de moda. Temos que ter a consciência de deixar o lugar que visitamos tão conservado quanto o encontramos. O Ministério do Turismo, através do site Viaje Legal, disponibiliza a cartilha Passaporte Verde: Respeite o Meio Ambiente em Português, Inglês e Espanhol.Não há desculpa para se fazer de desentendido.



Vila Belmiro - Santos F. C.

Símbolo do Santos na Praça das Bandeiras.
   
       Como eu disse na postagem anterior, sempre que posso visitar um estádio de futebol não perco a aportunidade. Estando na cidade de Santos-SP não poderia ser diferente, tudo ali lembra o time do Santos Futebol Clube.

                 
              Para visitar o Estádio da Vila Belmiro, o mais prático é pegar a linha turística Conheça Santos que sai de hora em hora da Praça das Bandeiras e é possível desembarcar e uma hora depois reembarcar em qualquer um dos pontos de parada dos micro-ônibus. Custa R$10,00 e o passageiro pode utilizar o transporte das 10h às 17h.

Memorial das Conquistas
       



          Há dois tipos de visitas: apenas o Memorial das Conquistas que tem objetos que recontam toda a história e as vitórias do Santos F. C. (R$6,00) ou a visita guiada por dentro do estádio que custa R$10,00. Não é o meu time, por isso nem acho tão "santástico" como dizem, mas não iria perder a chance de conhecer mais um estádio.

    O Memorial tem objetos interessantes como os primeiros uniformes da equipe, fotos de Pelé em várias situações dentro e fora de campo, inclusive em sua formatura de Educação Física junto com Émerson Leão que foi seu colega na faculdade. Eu nem imaginava!
    Tem também um quadro de miniaturas com todos os campeões da Libertadores de 1961 a 2010. Eu queria só as três tacinhas com o símbolo do São Paulo.



       Essa imagem faz parte da história mais recente do Santos. Fotografei porque, embora não seja santista, sou fã do Muricy Ramalho. Foi uma grande perda para o meu time, melhor nem falar no assunto pois a postagem pode ficar ofensiva aos dirigentes do São Paulo F. C.





      O campo não é muito grande, menor do que eu imaginava, e como em qualquer visita a estádios existe aquela neurose por não pisar na grama. É justificável, mas acho meio exagerado, chega a ser engraçado: você pode fazer tudo, mas não pise na grama!!





          

          Esses são os camarotes especiais, com visão privilegiada do campo. Assistir aos jogo a partir dessas cadeiras custa de R$60.000,00 a R$80.000,00 por ano. Só mesmo para os torcedores "sanáticos".






     Além do campo e das arquibancadas também podem ser visitados os vestiários, a sala de imprensa e outras dependências do estádio. Nos vestiários, o armário de Pelé se mantém intocado desde quando ele jogava. Diz a lenda da Vila Belmiro que o Rei do Futebol deixou o armário trancado e dentro dele há um objeto que ninguém sabe qual é. Mistério!!




          Esse altar fica ao lado dos vestiários, por onde os jogadores passam para entrar em campo. Em um time chamado "Santos" os jogadores recorrem a todos eles em cada partida. Desde que não peçam ajuda ao Apóstolo São Paulo, fiquem à vontade.

Estádios de futebol

Sala de imprensa do Santos F. C.
             Não, nós não somos santistas, já me perguntaram isso por conta das fotos postadas no Facebook, mas eu adoro visitar estádios de futebol! De preferência quando estão vazios, é verdade. Prestes a começar a  Copa das Confederações, é um bom momento para lembrá-los. Entre os maiores, além da Vila Belmiro, conheço o Pacaembu, La Bombonera e claro, o meu Morumbi! Aliás, esse meu marido conseguiu fotografar sobrevoando São Paulo para pousar no aeroporto de Cumbica. Pura sorte estar com a câmera preparada no momento exato.
Foto tirada na volta de Bariloche em agosto/2011.
         

     Não consegui visitar todos os que gostaria. Quando fizemos uma escala de cruzeiro em Montevidéu, por exemplo, queria conhecer o Estádio Centenário, onde foi realizada a primeira Copa do Mundo em 1930, mas estava fechado a visitações. Segundo a guia de turismo, o estádio estava em reformas pois se encontrava muito "estropiado". Mesmo assim, o orgulho da população acerca do futebol uruguaio é tamanha que na tentativa de se aproximarem de turistas brasileiros, taxistas e outros profissionais do turismo já possuem uma frase pronta para evitar confrontos: "Sólo no podemos hablar de futbol."


              






Setembro de 2010 -  Estádio Mané Garrincha
em fase de demolição. Apenas parte das
arquibancadas em pé.


 De setembro de 2010 a dezembro de 2012, estive em Brasília quatro vezes. Em cada uma delas subi na Torre de TV para ver o andamento das obras de demolição do Estádio Mané Garrincha para reconstrução do Estádio Nacional, onde pretendo assistir ao menos a um jogo da Copa do Mundo. Será que vai dar?


Setembro de 2011 - canteiro de obras onde começa
a se erguer o novo Estádio Nacional
Dezembro de 2012 - já começa a se parecer com as
fotos de computação gráfica que mostram como
 ficará o estádio pronto





























O Estádio Nacional pronto em computação gráfica.
















     



          Os últimos estádios que só fiquei na vontade de conhecer foi em Belo Horizonte. Em novembro/2012, estive  na capital mineira a serviço, com um city tour incluso. É obvio que fomos levados à região da Pampulha e lá passei um precioso tempo só olhando para o Mineirão e Mineirinho. Queria estar lá dentro, mas não deu.
Minierinho e Mineirão vistos da Pampulha.
Estádios que matei a vontade de visitar:
- La Bombonera