Imagem de Frida Kahlo, em grafite de Sipros

        A Oscar Freire está entre as ruas de lojas mais exclusivas do mundo. Tem para São Paulo a mesma importância comercial que a Madison Avenue ou a Fifth Avenue, em New York; a Rodeo Drive, em Beverly Hills ou a Champs Elysees, em Paris. Não posso afirmar que quem vai aos Estados Unidos ou à França faça questão de conhecer esses fashion points mas, estando em São Paulo, passear pela Oscar Freire é uma boa pedida, mesmo que seja uma única vez para conhecer a rua mais famosa da capital paulista e uma das mais luxuosas do mundo.
Espaço Havaianas
         É um grande shopping a céu aberto com aquelas lojas encontradas nos melhores (e mais caros) espaços de compras. Qual a sua preferida? Roupas da Calvin Klein ou da Brooksfield? Joias H. Stern ou Pandora? Sandálias da Arezzo ou da Melissa? Delícias da Kopenhagen ou da Carlo's Bakery? Estão todas por ali. São caras demais? Também há lojas de departamento mais acessíveis como Riachuello e Forever 21, Havaianas, Lupo e outras cafeterias cheias de delícias para experimentar naquele esquema de 'pelo menos uma vez na vida'. Brincadeira, nós merecemos nos dar a esses luxos vez ou outra. Mesmo porque todos os dias, nem o bolso e nem as calorias permitem.
Kopenhagen
         A rua inteira tem cerca de 2,7km de extensão, mas as grandes marcas e as lojas mais famosas se concentram em cinco ou seis quarteirões, basicamente desde o ponto em que a Oscar Freire cruza com a Av. Rebouças (onde fica a estação de metrô Oscar Freire - Linha 4, Amarela) até a Rua Augusta. Antes da Av. Rebouças é uma rua comum, com muitos prédios residenciais, de escritórios, vários consultórios médicos e estabelecimentos comerciais sem tanto glamour. Depois da Rua Augusta ainda há algumas lojas, cafés e restaurantes que logo começam a rarear para dar lugar a hotéis e prédios residenciais. 
Carlo's Bakery -  Rua Bella Cintra
          Além da própria Oscar Freire, a região toda dos Jardins tem pontos comerciais badalados, principalmente em duas das ruas que a cruzam: a Bella Cintra e a Haddock Lobo. Na Bella Cintra, 2182 (quase esquina com a Oscar Freire), por exemplo, fica a Carlo's Bakery São Paulo, a única loja do Cake Boss Buddy Valastro fora dos Estados Unidos. Leia mais sobre ela aqui. Na região também está o restaurante Arturito, da masterchef argentina Paola Carosella (Rua Artur de Azevedo, 542) e um de seus cafés La Guapa, que serve as famosas empanadas, esse bem pertinho (cerca de duas quadras), na  Alameda Lorena, 1731, dentro da Livraria da Vila (leia mais sobre o La Guapa e suas empanadas).
Galeria Melissa
         Sim, é uma rua de lojas caras, mas nada impede de visitá-la apenas para passear, entrando de loja em loja ou apenas naquelas de suas marcas preferidas. Seja qual for sua opção, duas delas não podem faltar em seu roteiro: a Galeria Melissa (n. 827) e o Espaço Havaianas (n.1116). São lojas-conceito, em que os produtos são dispostos como se fossem obras de arte e a decoração temática sempre muda, com uma roupagem mais linda e surpreendente que a outra. Quando estivemos por lá, a Galeria Melissa estava toda em tons de vermelho e texturas imitando crochê, porém, ela já teve um poodle amarelo de cinco metros, já foi coberta por mais de 350 mil folhinhas de post-it formando desenhos, entre outras instalações e pinturas artísticas que já se alteraram mais de 30 vezes desde 2005 e são sempre motivo de curiosidade.
       No Espaço Havaianas, o pessoal do marketing também trabalha duro para inovar e colocar toda a criatividade em prática. Nós encontramos uma piscina que parecia deliciosa para se refrescar, mas era apenas uma imagem em 3D (veja a segunda foto do post). Os gringos adoram Havaianas, por isso, é muito comum ouvir outros idiomas por ali, aliás, em toda a Oscar Freire é frequente a presença de estrangeiros.
Empanadas de Paola Carosella
          Além dos cenários nas fachadas que são verdadeiras obras de arte, o grafite está presente em vários pontos e várias fotos do Instagram, Pinterest e afins destacam a arte urbana da Oscar Freire. As pinturas mais famosas estão nas lojas Iodice (n.940) e Schutz (944), que ficam uma ao lado da outra. Na Iodice, loja do marido de Adriane Galisteu, o grafite atual do artista Sipros retrata a mexicana Frida Kahlo (primeira foto), símbolo da luta pela igualdade das mulheres. Na Schutz, a parede de 5,5m x 14m apresentou de 2015 ao final de 2018, um dos murais mais fotografados de São Paulo, pintado por Eduardo Kobra, retratando Albert Einstein andando de bicicleta. No início de 2019, foi apagado e em seu lugar surgiu a palavra LOVE escrita em letras garrafais brancas sobre fundo vermelho, que tenho minhas dúvidas se será tão fotografado como o anterior.
          Enfim... na Oscar Freire pode-se passar algumas horas bem interessantes. Eu quero dar uma passadinha sempre que estou em São Paulo. E você, já conhece?
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Leia também:
- Oscar Freire e seus sabores
- Beco do Batman (grafite na Vila Madalena)
Allianz Parque

        Fui conhecer o campo do adversário, mas continuo sãopaulina de corpo e alma, embora durante todo o Allianz Parque Experience Tour o anfitrião fique repetindo que a paixão pelo clube é tão grande que contagia e no final do passeio os 30% de visitantes não-palmeirenses já estarão convertidos e beijando o escudo. E olha que tomei até a garrafinha d'água distribuída durante o tour, mas nada mudou: meu coração continua batendo pelo Tricolor do Morumbi. No entanto, confesso que sou bastante simpática ao verdão e considerei a visita bem agradável, lá também estavam corinthianos, santistas, botafoguenses... e todos igualmente bem tratados na 'arena mais moderna da América Latina'.
Allianz Parque

       Se o título de 'arena mais moderna', anunciado várias vezes durante o tour, se sustenta... não sei; mas certamente a terceira reforma pela qual passou o antigo 'Parque Antártica', que o manteve fechado de 2010 a 2014, trouxe a tecnologia mais moderna disponível: o estádio é totalmente acessível a cadeirantes, subimos até os andares mais altos (5º andar) por escada rolante e a acústica foi elogiada por artistas como Paul MacCartney, Andrea Bocelli e o grupo Coldplay. 
          O revestimento metalizado do estádio são placas de aço super finas que exercem várias funções. Além de embelezar,  têm furos que permitem a entrada de luminosidade, protegem os corredores da chuva, que faz a auto-limpeza dessas placas, e ainda impedem o vazamento do som.  
Allianz Parque

        Os dois telões nas extremidades do campo possuem cada um os incríveis 100 metros quadrados e as informações sobre suas medidas rendem a piada de que é por isso que o Palmeiras não contrata Cristiano Ronaldo, pois ele ficaria admirando sua própria imagem e se esqueceria de jogar. Já os diferentes tons das cadeiras são para dar efeito de preenchimento quando são mostradas na TV, embora, segundo os palmeirenses, isso nem seria necessário, pois as arquibancadas do Allianz Parque estão sempre cheias. Mais uma piadinha do verdão? O guia-anfitrião nos avisou que mostraria o camarote exclusivo do Valdívia e fez isso quando passamos pelo Departamento Médico.
       Todas essas informações são passadas na primeira parte do tour (que dura entre 1:30h e 2h no total), com os visitantes acomodados nas arquibancadas,  depois a visita ainda segue, entre outras dependências, para os camarotes, sala de imprensa, sala Joelmir Betting (aquecimento), vestiários e túnel de acesso ao gramado, no qual não se pode pisar, assim como em qualquer outro campo oficial. Eu acreditava que isso se devia ao cuidado com a preservação da grama, mas ali a informação é que trata-se de uma regra da Fifa. Não sei...
Sala Joelmir Beting
        A sala de aquecimento é linda, com todos os versos do hino contornando o espaço. Recebe o nome de Joelmir Beting, pois o ilustre torcedor, deixou de ser jornalista esportivo por paixão ao Palmeiras, já que não conseguia ficar isento durante a narração dos jogos. Além disso, é autor da frase que também já foi registrada nos antigos vestiários "Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense... É simplesmente impossível."
        Acredito que seja mesmo, pois apesar das imagens lindíssimas dessa sala, com momentos marcantes da história do time, achei uma parte um tanto cansativa da visita o guia explicando foto por foto que recobre as paredes da sala. Talvez por não ser palmeirense, embora alguns visitantes de camisa verde também estivessem dispersos, principalmente as crianças.
Arquibancadas do antigo Parque Antártica
          Outra parte 'chatinha' do tour (de novo: talvez por eu não ser palmeirense) são os espaços para fotos: na sala de imprensa e no gramado junto à taça Libertadores da América. Nesses locais não é permitido fotografar com o próprio equipamento, pois são feitas as fotos que serão vendidas no final do tour. Acontece que é possível a todos os visitantes fazerem as fotos e só depois decidirem por comprá-las ou não, o que em um grupo grande resulta em uma boa fila ou tempo ocioso. O grupo em que eu estava tinha mais de 70 pessoas e, pelo que vi, não há limite para cada tour: chegou na hora, entra. A recomendação é estar na bilheteria com meia hora de antecedência.
           Por falar em ingressos, o do Allianz Parque foi o tour mais caro que fiz em estádios oficiais (e conheço vários), com variação de preços em dias úteis ou nos finais de semana, mais caro que o Maracanã! Mas tá valendo.
Allianz Parque

           Apesar de toda tecnologia, o time apega-se às tradições e na reforma do estádio conservou um trecho das antigas arquibancadas sob as novas (veja foto) para preservar a memória das grandes conquistas ali presenciadas, é o coração do estádio e pode ser visto no final do tour. Também no final, fica a lojinha com produtos licenciados, que fica antes da bilheteria e acesso ao início do tour, por isso, pode ser visitada mesmo por quem não fará o tour.  Esse hall de entrada é um pedacinho do Allianz Parque 'gratuito' que pode satisfazer os menos curiosos e, quem sabe, os não-palmeirenses. Por ali também há vídeo-game e mesa de pebolim com o formato do estádio.
     Nós nos hospedamos bem em frente, no hotel Plaza Inn American Loft e comprovamos que é uma ótima opção para quem vai a shows no Allianz Parque. Não era nosso caso, mas já que estávamos tão perto, era impossível resistir à visita.        
Allianz Parque
Serviço
Endereço: Rua Palestra Itália, 214 (Portão A)
Horários: De terça a domingo 10h, 11h30, 13h, 14h30, 16h, 17h
(exceto em dias de jogos ou eventos)
Valores: R$55 (inteira); R$27,50 (meia) - terça à sexta
            R$70 (inteira); R$35 (meia) + R$10,50 (encargos) - sábados e domingos
Allianz Parque visto do Plaza Inn American Loft

Outros estádios que visitamos:
- Pacaembu - SP

Fachada do MIS anunciando a exposição "Quadrinhos"

      O Museu da Imagem e do Som (MIS) é um dos centros culturais mais movimentados de São Paulo, conhecido por suas megaexposições que batem recordes de público como 'Castelo Ra-Tim-Bum - A exposição' (2015) que atraiu 410 mil pessoas em sete meses em cartaz, e 'O mundo de Tim Burton' (2016), com 213 mil visitantes em quatro meses. Agora é a vez de "Quadrinhos", que entrou em cartaz em novembro/2018 e pode ser visitada até 31 de março de 2019.
Peças da exposição 'Quadrinhos'
         As  grandes exposições do MIS geralmente ficam em cartaz entre três e seis meses, pois realmente são grandiosas e trazem temas que agradam muito ao público. Também já foram homenageados em suas exposições, entre outros grandes artistas, David Bowie (2014), Sílvio Santos (2017), Renato Russo (2017) e Alfred Hitchcock (2018). Dessa vez o tema da exposição agrada de 8 a 80 anos, pois não há quem não tenha seu personagem preferido da nona arte: a argentina Mafalda ou o americano Calvin? Heróis da Marvel ou da DC? Animais falantes da Disney ou o gato pensante Garfield? Os brasileiros Turma da Mônica ou Menino Maluquinho? E mais gibis raros, tirinhas, cartoons, charges, mangás, animês... enfim tudo sobre as HQs em mais de 600 itens.
Peças da exposição 'Quadrinhos'
              As pesquisas realizadas pelo curador Ivan Freitas da Costa e seus colaboradores de Caselúdico duraram 18 meses e reuniram vídeos, áudios,  instalações artísticas, desenhos originais e peças raras em três andares de exposição que contam a história de dois séculos da arte sequencial que une o desenho às palavras. Dado o reconhecimento de sua importância, os próprios artistas do cartoon (ou seus familiares) contribuíram para a construção do acervo. Cederam peças para a exposição Maurício de Sousa, Glauco, Angeli, Laerte e Ziraldo. Jim Davis fez um desenho de Garfield exclusivamente para a exposição, na qual também pode ser apreciado o vídeo que mostra o cartunista desenhando seu mais famoso personagem.
Peças da exposição 'Quadrinhos'
          A imagem acima traz as cinco etapas de produção de uma história em quadrinhos da Turma da Mônica, desde o rascunho do desenhista até chegar aos gibis. Na segunda foto está a rubrica de aprovação de Marina, filha de Maurício de Sousa, desenhista e roteirista da empresa de produções do pai. Da mesma forma que Mônica, Magali e seus outros irmãos, Marina inspirou a criação de uma personagem com seu nome que adora desenhar, assim como a Marina da vida real. No espaço reservado à Turma da Mônica estão expostas desde as primeiras tirinhas com a data de aparição de cada personagem (o primeiro foi Cebolinha, em 1960; a Mônica chegou em 1963) até as mais recentes novidades dessa galerinha, como a Turma da Mônica Jovem, lançada em 2008, e os personagens minimalistas da Turma da Mônica Toy com seus episódios de cerca de 1 minuto exibidos no canal da Turma da Mônica e Monica Toy Official, no Youtube.
Peças da exposição 'Quadrinhos'
         Como a exposição visa ser o mais abrangente possível, não faltaram nem mesmo os quadrinhos eróticos expostos em um banheiro real, adaptado para a exposição, afinal nos banheiros públicos encontram-se todos os tipos de desenhos e recados geralmente inapropriados para menores. Por isso, nesse espaço só entram maiores de 18 anos ou maiores de 16 anos desde que acompanhados pelos pais ou responsáveis. O atentado violento sofrido pela revista satírica francesa Charlie Hebdo deixando doze vítimas, em 2015, também foi lembrado.
Peças da exposição 'Quadrinhos'
         Entre as raridades está a revista n.1 do Tio Patinhas e outras poucas curiosidades sobre os quadrinhos da Disney que, a meu ver, mereciam um espaço maior na exposição. Mas... isso diz respeito a preferências pessoais, afinal são centenas de personagens e nem todos os visitantes têm a mesma opinião. Até mesmo os curadores deixam algumas pistas sobre suas preferências de personagens (talvez por acaso, talvez intencionalmente) ao apresentar os heróis da Liga da Justiça, da DC, na reprodução da incrível Batcaverna onde visitantes entram para acessar os arquivos com informações de heróis e vilões. Já os heróis da Marvel não ganharam tanto destaque assim nem no tamanho e nem na produção do espaço.
Peças da exposição 'Quadrinhos'
             A sala dedicada à Marvel, reproduz o ambiente urbano de uma grande metrópoles (New York?) circundada por seus grandes prédios, com monitor exibindo o filme "Os Vingadores" e um mal-feitor preso na teia do Homem Aranha que deixa um bilhete para os moradores: "Cortesia do amigo da vizinhança". Uma curiosidade não programada pelos curadores, é que nas informações sobre Stan Lee consta apenas seu ano de nascimento (1922), pois quando o escritor faleceu em 12/11/2018, já estava tudo pronto para a abertura da exposição que aconteceu dois dias depois. A reprodução de Hulk (abaixo) é uma escultura tátil para que pessoas com deficiência visual (os demais visitantes também) possam sentir os contornos do personagem. A exposição apresenta outros personagem em forma de escultura como Mickey (laranja) e Donald (azul) da imagem com fotos da Disney.
Peças da exposição 'Quadrinhos'
           Por conta da grande procura do público por suas exposições, o MIS abre a pré-venda de ingressos com mais de um mês de antecedência do lançamento de cada exposição pelo site Ingresso Rápido. O detalhe é que os ingressos antecipados, comprados pela internet, custam o dobro do valor daqueles comprados na recepção, pois esses estão sujeitos à disponibilidade. Eu arrisquei em um sábado pela manhã e deu certo, estava bem tranquilo. Uhuu!!

Serviço
- Site oficial: https://www.mis-sp.org.br/
- Endereço: Avenida Europa, n.158. Jardim Europa - SP.
- Horários: terça à sábado - 10h às 20h; domingos e feriados - 9h às 18h
- Valores antecipados: R$30 (inteira) e R$15 (meia);
- Valores na recepção: R$14 (inteira) e R$7 (meia)
- Gratuito: terças-feiras, sujeito à disponibilidade.

Mais do MIS

Exposição "Cidade (in)acessível"
            Além das grandes exposições pagas, o Museu da Imagem e do Som tem outras gratuitas e apresentadas em períodos mais curtos, com uma quedinha pela fotografia (a  8ª arte). Quando estive por lá, estava em cartaz a exposição 'Cidade (in)acessível' (até 13/01/2019), pequena, porém, interessantíssima. Com dez fotos tiradas por deficientes visuais a partir de seus outros sentidos. Essas fotos receberam  legendas em braille e representações em relevo para que tanto os visitantes quanto os próprios fotógrafos pudessem sentir o resultado dos trabalhos. A programação do MIS também inclui apresentações de música, cinema, teatro, fotografia e cursos diversos. A agenda está disponível no site.
Esculturas do MuBE
          Ao lado do MIS fica o MuBE - Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia -  com entrada franca de terça a domingo, das 10h às 18h . O MuBE tem exposições gratuitas e, além das esculturas na parte externa, tem jardins projetados por Burle Marx. Vale dar uma olhadinha na agenda de programação e fazer as duas visitas.
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Livro do autor do canal do youtube "Amigo Gringo"

         O livro 'Rediscovering Travel: a guide for the globally curious' (algo em português como 'Redescobrindo a viagem: um guia para os globalmente curiosos), lançado nos EUA em novembro/2018, tem como autor Seth Kugel, youtuber do canal 'Amigo Gringo', bem popular entre os brasileiros por ter como um dos principais temas de seus vídeos a cultura e os hábitos de nosso país. O jornalista americano deu uma entrevista à Revista Veja de 02-01-2019 discorrendo sobre a busca por experiências de viagem mais autênticas e menos comerciais, além de falar de micos de viagem e também do potencial turístico 'não aproveitado' do Brasil. Segue uma síntese de temas e opiniões bem interessantes:

Foto da entrevista na Revista Veja

* Turismo de experiência
Os viajantes estão perdendo a ousadia e o senso de aventura por conta da indústria que os trata como bebês e propõe que 'comprem experiências'. Uma experiência não pode ser vendida como um serviço ou um tour, é algo ocasional, sem planejamento que necessita que se esteja aberto ao inesperado.

* Experiência genuína do autor no Brasil
Por sugestão de um amigo belga, Seth Kugel embarcou em cruzeiro de quatro dias pelo Rio Amazonas desde a cidade de Tabatinga até Manaus, com  intuito de melhorar seu português. A dica era levar uma gramática e passar os dias na rede estudando que muita gente se ofereceria para lhe ensinar o idioma. Deu certo. O autor, judeu não-praticante, embarcou entre evangélicos semianalfabetos que lhe pediam que lesse a Bíblia para eles, além de ouvir histórias como a de uma menina de 15 anos que estava fugindo do marido violento. Para Kugel, aprende-se muito mais sobre o Brasil ouvindo essas histórias de vida que entre turistas em torno do Cristo Redentor. Na opinião do autor, a viagem pelo Rio Amazonas "é como um spa dos pobres. É tão relax porque não tem nada para fazer, mal existe sinal de celular. Uma vez a cada quatro dias você vai ver os botos-cor-de-rosa, e só."

* Dicas para uma viagem surpreendente e espontânea
- Trace planos para metade do tempo da viagem. Se for ficar dez dias na cidade, programe-se antecipadamente para apenas cinco deles.
- Se quiser conhecer as principais atrações, programe-se para fazer isso em dois dias, não nos dez.
- Converse o quanto for possível com os moradores locais, aqueles que você encontra na rua, no metrô, nos restaurantes...
- Procure economizar. Quanto menos se gasta, mais esforço há para inserir-se no destino. No lugar do tour contratado de dia inteiro, planeje seu roteiro na internet e use o transporte público local.
- Viajar pelo mundo procurando pelo bairro mais descolado da cidade com drinks a 15 dólares, não é experimentar a cultura local.
- Escolha destinos menos comuns. Saia das grandes capitais e vá para o interior. Nos EUA, por exemplo, há ótimas atrações além da Florida: os parques nacionais do oeste do país como Yellowstone e Yosemite ou a cultura de cidades como Nova Orleans (Louisiana), Savannah (Georgia) e Carolina do Sul.

* FOMO (Fear Of Missing Out)
O 'medo de perder alguma coisa' afeta o turista brasileiro que geralmente foca em destinos famosos. Se vai a Paris, se contenta em subir na Torre Eiffel, ver a Mona Lisa e postar fotos  nesses dois locais para os amigos verem. Uma foto diante da Mona Lisa é uma farsa, pois o visitante do Museu do Louvre não conseguirá um clique sem exibir parte das outras 50 mil pessoas que estão por lá, porém, as pessoas veem essa mentira e querem viajar a Paris para replicá-la.

* Como não ser um 'babaca' no exterior
- O  mundo é muito grande, por isso, saia da bolha que o limita a agir conforme as regras de comportamento a que se acostumou.
- Se cometeu uma gafe em algum momento, admita que cometeu um erro, peça desculpas e explique que é de outro lugar.
- Por exemplo, na França não tome banhos de mais de 3 minutos nem aborde alguém pedindo informações antes de um 'bonjour' ou palavra correspondente. Na China não se incomode com a curiosidade excessiva das pessoas, para os chineses é normal e não uma violação de 'sua' privacidade.

* Micos dos brasileiros no exterior
- Usar tênis coloridos e brilhantes de academia na rua.
- Usar o gesto 'joinha' que nos EUA é considerado brega.
- Tirar fotos com esquilos.
- Marcar e depois desmarcar um compromisso.
- A obsessão por compras. Não faz sentido ir a Nova Iorque apenas para comprar.

* O que atrapalha a competitividade brasileira no turismo
- A estrutura de transporte não ajuda. Nenhum turista sai de Nova Iorque e chega diretamente aos Lençóis Maranhenses.
- As maravilhas das cidades brasileiras não são bem divulgadas. Os turistas estrangeiros sabem da Amazônia e do carnaval no Rio de Janeiro, mas nunca ouviram falar nas cidades históricas de Minas Gerais.
- O nível de inglês (idioma internacional do turismo) na área de serviços é problemático. O autor exemplifica que se não falasse português não teria conseguido alugar um carro no Aeroporto de Guarulhos.
- A questão da segurança preocupa os turistas.

Texto baseado na entrevista de Seth Kugel, nas Páginas Amarelas da Revista Veja, 
edição 2615, de 02/01/2019
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Feliz 2019

ANO NOVO, ME SURPREENDA!
Martha Medeiros

Ano-Novo é uma convenção. Os dias correm em sequência. De 31 de dezembro para 1º de janeiro ocorrerá apenas mais uma sucessão de 24 horas em que nada mudará, tudo seguirá do mesmo jeito. Pois é, sei disso, mas é um ponto de vista sem nenhuma alegria. Sou das que compram o pacote de Ano-Novo com tudo que ele traz em seu imaginário: balanço de vida, reafirmação de votos, desejos manifestos e esperança de uma etapa promissora pela frente.
Faço lista de projetos e tudo mais. Só que, quando chega o fim do ano e avalio o que consegui cumprir, descubro que o inesperado superou de longe o esperado. As melhores coisas do ano sempre foram aquelas que eu não previ. Então tomei uma decisão: nessa virada, não vou planejar coisa alguma e aguardar as resoluções que novo ano tomará para mim, à minha revelia.
Mas poderia dar algumas sugestões?
Ano Novo, anote aí: que as coisas mudem, mas não alterem meu estado de espírito. Não deixe que eu me torne uma pessoa ranzinza, mal-humorada, desconfiada, sem tolerância para as diferenças. Aconteça o que acontecer, que eu me mantenha aberta, leve e consciente de que tudo é provisório.
Não quero mais. Quero menos. Menos preocupações, menos culpa, menos racionalismo. Pode cortar os extras. Mantenha apenas o estritamente necessário para me manter atenta.
Está anotando?
Espero que você esteja com ótimos planos para sua amiga aqui. Lançarei livro novo? Permita que eu seja abusada: dois. Sendo que nenhuma coletânea de crônicas, nem romance. Me ajude a variar.
Que lugares conhecerei que ainda não conheço? Que pessoas entrarão na minha vida que, quando cruzo com elas na rua, ainda não as identifico? Que boas notícias ouvirei das minhas filhas? Quantos shows terei o prazer de assistir? Estou curiosa para saber o que você está aprontando para incrementar os meses que virão.
Prometo que estarei preparada para receber o abraço afetuoso de quem antes me esnobava, para a frustração por tudo o que for cancelado, para voltar atrás nas minhas teimosias, para me dedicar a algo que nunca fiz antes.
Estarei disposta a tirar de letra os espíritos de porco e assumir a responsabilidade pelas asneiras que eu mesma cometer. E estarei pronta também para uma grande surpresa, ou até duas. Três, meu coração não aguenta.
Se a dor me alcançar, que me encontre com energia e sabedoria para enfrentá-la. Que eu não me torne dura diante dos horrores, nem sentimentaloide diante das emoções. Ano Novo, os acontecimentos são da sua alçada. Da minha, cabe recepcioná-los com categoria.
Quais são seus planos para mim, afinal? Talvez nem todos sejam do meu agrado, portanto, que eu não tenha constrangimento em dizer “não, obrigada”, caso seja preciso. Mas que eu me sinta mais predisposta para o sim.
Se estamos de acordo, pode vir.
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Direitos do consumidor nas compras de fim de ano 

Advogado especialista em direitos do consumidor e do fornecedor esclarece dúvidas sobre os direitos desconhecidos pela população
Presente de Natal ruim

Nesse período do ano ocorrem as festas e as tradicionais trocas de presentes no ambiente de trabalho, em casa ou nos relacionamentos. Para atrair consumidores, as lojas oferecem promoções e descontos que visam baixar ou finalizar estoques de produtos e começar o ano com dinheiro em caixa. Se, por um lado, os comerciantes querem fazer capital de giro, por outro, os consumidores aproveitam as liquidações e ofertas, causando uma intensa procura. Tudo isso resulta em vários problemas por conta da grande movimentação e circunstâncias da relação de consumo. “O que acontece é que os direitos de um lado e os deveres de outro são esquecidos. Isso não pode acontecer”, comenta o advogado Dori Boucault, especialista nos direitos do consumidor e do fornecedor. 
O fim de ano exige uma atenção redobrada nas compras, muitas coisas passam batidas e podem gerar uma séria de complicações. “Os lojistas focam nesse período, pois a tendência é que as vendas aumentem. Mas, muitas vezes, eles acabam esquecendo que a grande demanda isso não anula os direitos dos consumidores”, lembra o advogado. Se o comerciante quer aproveitar o período deve também observar o que deve oferecer ao cliente e este, por sua vez, deve saber também que existem parâmetros para exigir seus direitos. 
Para orientar os consumidores sobre seus direitos de antemão, Dori Boucault preparou 15 dicas, para compras feitas em lojas físicas e internet. Confira: 
1. Produtos com defeito podem ser trocados mesmo em promoção: Em alguns lugares, os estabelecimentos informam que os produtos em promoção não podem ser trocados. Segundo Dori, a prática está errada, já que, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), qualquer produto com defeito deve ter direito a troca, conserto ou devolução proporcional. O prazo para as trocas é de 30 dias para produtos não duráveis e 90 para produtos duráveis.  
Exemplo comum: Dei um presente e a pessoa não gostou, a loja é obrigada a trocar? A troca por motivo de gosto, cor, tamanho não é obrigatória. A não ser que a loja tenha se comprometido a efetuar a troca no momento da venda. Por essa razão, o consumidor deve conversar pra avisar que é para presente e a loja define a sistemática da troca: nota fiscal, dia, horário, ter ou não etiqueta, etc. 
2. Quando a troca é obrigatória e em quanto tempo: A troca só é obrigatória no caso de defeito. Conforme a lei, o fornecedor tem até 30 dias para solucionar o problema ou vicio. É importante que o consumidor tenha um documento que tenha a data da reclamação, ou seja, produto durável até 90 dias para reclamar e não durável até 30 dias da data da compra, pelos chamados vícios aparentes, ou defeitos de fácil constatação.
3. Não existe valor mínimo para pagamento com cartão: O estabelecimento não pode fixar um valor para os pagamentos em cartão. Isso não existe. Por mais baixo que o valor seja se o estabelecimento indica aceitar cartão, tem de receber. Da mesma forma, cobranças de taxas para quem comprar com o cartão de crédito também são abusivas.
4. Os produtos devem conter todas as informações necessárias: Quando comprar um produto, o consumidor deve saber quais as características que ele possui, desde sua quantidade, seus riscos, entre outras informações.
5. Produtos lacrados devem ter amostras: Caso o produto que você deseja esteja em uma embalagem lacrada, pode solicitar ao vendedor uma amostra para conferir o que está comprando.
6. Reclamações não atendidas em 30 dias: Após registrar a reclamação com o fornecedor, ele possui 30 dias para resolver o problema. Ultrapassando o prazo, o consumidor tem direito a troca do produto, devolução do valor pago ou desconto no preço proporcional ao defeito;  
Exemplo comum: Se não for possível conserto no prazo, o consumidor decide: ou pela troca do produto ou pela devolução do dinheiro; ou fica com o produto e aceita um abatimento proporcional do preço.
7. Propaganda enganosa: A prática é abusiva e proibida. Se o produto não corresponder ao que foi exibido no anúncio, pode registrar sua reclamação. “O consumidor pode exigir o produto que foi anunciado ou cancelar a compra e ter seu dinheiro devolvido”, informa Dori.
8. Código de Defesa do Consumidor dentro da loja: O estabelecimento deve possuir uma cópia do CDC disponível para os consumidores consultarem.
9. O conserto de um produto não é obrigação da loja: Se o produto apresentar defeito, a obrigação dos reparos é da assistência técnica. “A loja não tem nenhum compromisso com consertos, exceto se não houver uma assistência técnica no município”, lembra o advogado.
10. Documento de identificação da compra: É um direito do consumidor ter seu comprovante de compra. “O fornecedor não pode te nega; afinal, é um documento muito importante para comprovações futuras”, finaliza o especialista.
11. Compras pela internet, existe o prazo de arrependimento: Se comprar um produto pela internet e se arrepender do que recebeu é estabelecido um prazo de sete dias para devolver o produto e receber seu dinheiro de volta. “Esse período chama-se ‘prazo de reflexão’. Ele permite que você devolva o produto sem nenhuma justificativa”, explica o especialista.
12. Fora do estabelecimento comercialSe a compra for feita por telefone, catálogo, domicilio ou internet o consumidor tem até 7 dias para desistir. Essa desistência deve ser formalizada por escerito. E se houver recebido o produto, devolver... e aí terá direito a restituição do valor total que ele eventualmente tenha pago, inclusive o frete.
13. Produto importado: Se tiver problema com produtos adquiridos no Brasil seguem as mesmas regras dos nacionais... Portanto, no caso de problema, o consumidor pode procurar a loja ou a importadora ou representante da assistência técnica. Se não existir loja ou representante no Brasil, cuidado, porque a legislação será obedecida de acordo com as leis do país de origem desse produto.
14. Mercadorias adquiridas no mercado informal, por lances, com defeitoAlém da possibilidade de representar riscos à saúde do consumidor, a compra de produtos no mercado informal não dá nenhuma garantia de troca, mesmo em caso de defeito. E muita atenção: não há nota fiscal, não há garantia e não tem confiança da origem desses produtos, podendo ocasionar danos às pessoas, como perfumes que mancham a pele, óculos que não tem proteção solar, entre outros problemas.
15. Nota fiscal sempre: É fundamental que o consumidor procure a loja com a nota fiscal, que é a certidão de nascimento da relação de consumo. É o documento que lhe garante ter existido essa relação e o direito, conforme previsto no CDC. Da mesma forma, só a Nota Fiscal, as vezes não vale para justificar uma troca, porque é direito do lojista exigir, por exemplo, que uma peça de vestuário tenha a etiqueta mantida na mercadoria e de que ela não foi usada.   
Mais sobre Dori Boucault
Consultor de relação de consumo e advogado especialista em direito do consumidor e fornecedor, Dori Boucault, é um dos profissionais mais requisitados para palestras e seminários sobre o assunto. Em suas palestras e seminários, fala com desenvoltura sobre assuntos espinhosos que, por vezes, se tornam uma dor de cabeça para consumidores e fornecedores. Entre suas especialidades está a educação financeira, que auxilia o consumidor a controlar seus recursos. Dori possui uma forma irreverente de explicar os direitos e deveres de ambas as partes – cliente final e fornecedor – de forma didática, leve e descontraída.
Museu Imperial - foto do site oficial

        Assim como os ares de Petrópolis agradavam à família imperial no século XIX, ainda hoje é o destino de inverno preferido dos cariocas (a 65 km do Rio de Janeiro). Na cidade fica a antiga moradia de D. Pedro II e seus familiares, construída entre 1845 e 1862 para ser a residência de verão da família, porém, onde passavam a maior parte do ano: em torno de 7 meses a 8 meses e o restante deles no Rio de Janeiro, a capital do império no Brasil. Desde março/1943, o palácio é a sede do Museu Imperial, um dos mais visitados do país, que abriga mobiliário, vestimentas, joias, objetos pessoais, documentos, fotos, quadros e muita história do período imperial brasileiro.
Última foto da família real no Brasil na casa da Princesa Isabel.
      O riquíssimo acervo (tanto em valor histórico quanto monetário) de cerca de 300 mil itens, não pode ser fotografado pelos visitantes; mas as fotos são permitidas no pavilhão das viaturas, que originalmente era a antiga cozinha do palácio, e nos jardins que ainda conservam as características do projeto de Jean Baptiste Binot. Há mais de um portão de acesso no Museu Imperial, entre pelo mais próximo da Praça D. Pedro II para atravessar os jardins até a bilheteria. Também é possível conhecer ou relembrar as peças do acervo por meio do Tour Virtual
          Ao longo do calçamento, na extensão dos jardins do Museu, ficam as polêmicas 'vitórias', charretes puxadas por cavalos para passeios turísticos. Os moradores de Petrópolis votaram em um plebiscito em 07/10/2018 se eram 'a favor' ou 'contra' o uso de tração animal em passeios turísticos e optaram pelo fim das vitórias por entenderem que os animais são explorados e maltratados. Mesmo assim o empasse continuou, porém, com ou sem autorização, evite as vitórias e ajude a população a defender os animais.
Viaturas: liteiras e carruagens
          Para a visita às dependências da antiga moradia de D. Pedro II e família é necessário calçar pantufas (grandes chinelos de feltro) sobre os calçados para proteger o assoalho da grande movimentação diária por seus corredores, o que obriga os visitantes a andarem bem devagar, arrastando os pés para não perder os chinelões. Não são muito cômodos não, mas é uma regra que precisa ser obedecida. A visita segue em sentido único, com todos os móveis e objetos muito bem protegidos de mãos curiosas por vitrines e vidraças. O que não impede que se observem detalhes, por exemplo, os desenhos no teto que indicam a função do cômodo: harpas na sala de música ou as iniciais PT nos aposentos do imperador D. Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina.
      Embora as dependências estejam ornadas com belíssimos lustres, enquanto serviu de moradia à família imperial, a casa nunca teve água encanada ou luz elétrica. Para aproveitar a luminosidade natural, seus moradores despertavam muito cedo, almoçavam por volta das 9h e jantavam às 16h . Nem todas as peças que compõe o acervo são da mobília original, a proposta é reproduzir  a vida no período imperial, inclusive com o trono que foi trazido do Rio de Janeiro, pois nunca houve 'Sala do Trono' na casa de Petrópolis, por não ser a residência oficial e sim destinar-se ao veraneio da família.
Museu Imperial - Petrópolis
          A parte mais interessante da visita, são os salões internos, mas cada cantinho desse espaço guarda surpresas como as estátuas do jardim, as jaqueiras que ainda dão frutas, a locomotiva Leopoldina, que subia a serra fluminense levando a família real até Petrópolis, a última foto da família real no Brasil e até mesmo os saguis que passeiam pelos jardins tornam-se atração entre os visitantes. 
       Além da visita à casa principal, o museu oferece outras atividades interessantes, como o passeio pelos bastidores, que acontece uma vez por mês, chamado 'O museu que não se vê'; a apresentação temática 'Um sarau imperial', em que a Princesa Isabel recebe as amigas e, durante a conversa, comentam sobre os assuntos em pauta na época: o futebol que chegava ao Brasil, o blue jeans como roupa dos trabalhadores do campo, o telefone, as composições de Carlos Gomes... A peça teatral é interativa, contando com a participação da platéia. Não é permitido fotografar durante o espetáculo, mas após o término as atrizes ficam à disposição para fotografar com o público. Na página oficial do Facebook também há fotos tiradas durante cada apresentação.
Um Sarau Imperial
            Outro evento que complementa a visita é o 'Espetáculo Som e Luz' que transporta os visitantes para momentos significativos do período imperial brasileiro, entre eles, a renúncia de D. Pedro I, o baile de apresentação das princesas Isabel e Leopoldina a seus futuros maridos, a assinatura da Lei Áurea, até a proclamação da República, quando a família real foi obrigada a se exilar na Europa. Para contar essas e outras histórias é utilizada tecnologia de ponta com projeções nas paredes do palácio onde, pelas janelas, se vê o movimento dos convidados para o Baile das Princesas. Na direção oposta as imagens são projetadas em uma cortina d'água com seis metros de altura e dezessete de largura. Imperdível, programe-se para assistir a esse espetáculo único no Brasil.
Espetáculo Som e Luz
   O espaço do Museu Imperial conta ainda com outras dependências como loja, biblioteca e o bistrô onde é possível tomar um chocolate quente com bolo ou fazer uma refeição completa, que a meu ver é um tanto cara (R$75 por pessoa, o almoço), porém, não experimentei para avaliar a qualidade da comida e concluir se vale ou não. Na última sexta-feira de cada mês, acontece no Duettos's Café e Bistrô o 'Chá da Princesa', a experiência une gastronomia,  teatro e muita história, oferendo no cardápio os quitutes prediletos da realeza, como o pão-de-ló de laranja, preferido da Princesa Isabel que aparece por lá para receber seus convidados. O Duetto's também oferece uma vez por mês, o 'Jantar do Imperador', com pratos que relembram os banquetes imperiais e conta com a presença do próprio D. Pedro II, na companhia de sua filha Princesa Isabel (veja mais informações no final do post).
       Além de seu endereço principal, também pertence ao complexo do Museu Imperial, em Petrópolis, a Casa de Cláudio de Souza, construída no final do séc.XIX, onde viveu o médico e escritor membro da Academia Brasileira de Letras.
        Como se vê, visitar o Museu Imperial não é apenas dar uma 'passadinha'. Programe-se para aproveitar o que ele oferece de melhor.
Casa de Cláudio de Souza

Serviço
Museu Imperialhttp://www.museuimperial.gov.br/ 
Endereço: Rua da Imperatriz, 220 - Centro - Petrópolis/ RJ
Horários: terça-feira a domingo, das 10h às 18h (bilheteria até 17h)
Valores: R$10 (inteira); R$5 (meia)

Sarau Imperialhttps://www.facebook.com/umsarauimperial/
Horários: quinta, sextas e sábados, às 18:30h
Valores: R$16 (inteira); R$8 (meia)
Duração: 45 min

Espetáculo Som e Luz
Horários: quinta, sexta e sábados, às 20:30h
Valores: R$20 (inteira); R$10 (meia) 
Pacote familiar: 2 adultos + 2 estudantes ou 2 idosos - R$50
Duração: 45 min

Combo
Museu + Sarau + Som e Luz: R$ 36 (inteira); R$18 (meia)

O museu que não se vê (visita aos bastidores)
Período de realização: de março a novembro
Horário: última quarta-feira do mês, às 9h e às 14h 

Grupos de 5 a 15 pessoas, recomendado a partir de 14 anos
Duração: 3 horas
Valor: gratuito, mediante agendamento 
 (24) 2233-0368


Casa Cláudio de Souza
Endereço: Praça da Liberdade, nº 247, Centro – Petrópolis – RJ
Horários: terça a sexta-feira, das 11h às 18h
Entrada gratuita

Chá da Princesa
Endereço: Duetto's Café e Bistrô (no próprio museu)
Horário: última sexta-feira do mês, 16h às 18:30h
Limite de 50 pessoas
Valor: R$62,90
Agendamento: (24) 2443-2952 ou (24) 2020-1408
E-mail duettoscontato@gmail.com 

Jantar do Imperador
Endereço: Duetto's Café e Bistrô (no próprio museu)
Horário: uma sexta-feira por mês (não pré-definida), às 20:30h
Limite de 20 pessoas
Valor: R$150 (sem bebidas)
Agendamento: (24) 2443-2952 ou (24) 2020-1408;
E-mail duettoscontato@gmail.com 

Curiosidade
Nome completo de: D. Pedro I
Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.

Nome completo de: D. Pedro II

Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon.
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Cervejaria Bohemia

         Você sabe qual é a capital da cerveja no Brasil? Não?! Nem eu! Mas sei de várias cidades que exibem o título. Segue uma listinha delas por ordem alfabética:
- Blumenau/SC -  capital nacional da cerveja
- Curitiba/PR - capital da cerveja artesanal
- Feliz/RS - capital estadual da cerveja artesanal
- Florianópolis/SC - capital da cerveja artesanal (projeto)
- Jacareí/SP - capital da cerveja
- Petrópolis/RJ -  capital estadual da cerveja
       E por aí vai... são muitas as cidades que querer o título de capital da bebida mais consumida no Brasil. Petrópolis é apenas uma delas, mas com um grande diferencial: é a terra natal da Bohemia e oferece um tour pelas instalações da cervejaria tão delicioso quanto a própria cerveja.
Cervejaria Bohemia
         O tour cervejeiro da Bohemia conta a história da cerveja desde os egípcios até chegar ao Brasil e se tornar a paixão nacional. São seis andares de exposições autoguiadas em alguns trechos e em outros com guias dando algumas explicações. Ah, você não gosta de história? Esqueça as aulas que teve na escola ou os guias repetitivos e ensaiados, ali é tudo muito interativo, colorido e diferenciado... monotonia zero durante o tour. Vá tranquilo.
           A exposição é extremamente bem cuidada tanto na curadoria quanto na conservação dos espaços e itens expostos. Um passeio imperdível, mesmo para quem não consome a bebida queridinha dos brasileiros. Todos os ambientes são climatizados e com iluminação pensada para valorizar os objetos.
Cervejaria Bohemia
            E sim!! Tem degustação!! O visitante já começa o tour com o copo na mão, saboreando, e durante a visitação degusta outros dois tipos de chope. É um tour sensorial não apenas por conta de seus sabores, todos os sentidos são acionados. Aqueles que já gostam da bebida se apaixonam ainda mais e, quem não é tão adepto, pode pensar na hipótese de experimentar. Além dos sabores marcantes dos chopes oferecidos, encante seus olhos com as lindas imagens, sinta o aroma marcante do lúpulo, ouça as histórias que os guias têm a contar e descubra a textura de diversos cereais utilizados na produção de cerveja. Numa mesa tátil e interativa você responde questões sobre suas preferências de paladar para chegar à indicação da cerveja ideal.
Cervejaria Bohemia
          A interatividade da visita também está nos microscópios disponíveis para se ver as leveduras, no brasão digital para montar e enviar para seu e-mail (o meu não chegou) e no rótulo personalizado com o nome escolhido. Eu fiz o meu com o nome do blog 'De Turista a Viajante'. O totem onde se personaliza o rótulo fica bem na entrada da loja, onde o tour termina, e esse espaço pode ser acessado mesmo por quem não está fazendo o tour. Também é possível ir para o bar (que fica de frente para a rua) ou para o restaurante (no segundo andar), sem passar pelo tour completo.
Cervejaria Bohemia
          O valor da entrada é R$39 (inteira), o que faz muita gente parar para pensar se vale mesmo a pena investir esse valor. Sim, vale! É um dos melhores passeios a se fazer em Petrópolis. 'Ah, mas o Beer Tour da Itaipava é gratuito'. São totalmente diferentes, tanto que não há parâmetros para compará-los. Faça os dois. O tour da cervejaria Itaipava tem como objetivo apresentar a fábrica e o processo de produção da cerveja que chega até o consumidor (veja aqui). O tour da Bohemia é mais histórico e artístico, um grande museu dedicado à produção da cerveja ontem e hoje, no Brasil e no mundo, além da história da própria cervejaria Bohemia - a primeira cerveja do Brasil - que começa em 1853.
Cervejaria Bohemia
       Em 1998, a fábrica de Petrópolis ficou pequena para a demanda de produção, por isso foi fechada e a Bohemia passou a ser produzida em Jacarepaguá/RJ. A unidade de Petrópolis volta a ser aberta em 2012, totalmente revitalizada e transformada no museu temático do tour, além de trazer também restaurante, bar, loja e uma infraestrutura impecável para receber os visitantes. Parte das antigas instalações foram preservadas e podem ser vistas durante o tour, além de fotos que formam a linha do tempo mostrando toda a transformação pela qual o prédio passou.     
           A duração do passeio depende do interesse de cada visitante, assim como em todo e qualquer museu, mas com tanto a ser visto, ouvido, sentido... reserve ao menos 1h30min para fazê-lo com calma. Além desse tempo nas salas do museu propriamente dito, ainda há a lojinha que, além de cerveja, camisetas, bonés... tem doces e mostardas cervejeiras. É difícil fugir de dar uma passadinha por ali: se quiser fazer o rótulo de sua garrafa, irá retirá-lo no balcão do caixa, assim como o brinde a que tem direito com o ingresso (uma mini-caneca de acrílico com o logo da Bohemia).
Cervejaria Bohemia
          No restaurante, o cardápio traz as sugestões de harmonização dos petiscos e pratos principais com as cervejas produzidas pela Bohemia. Nós pedimos uma porção de bolinho de feijoada que estava delicioso, assim como o chope avermelhado sugerido. Já os pratos principais e a sobremesa deixaram um pouco a desejar. Achei que faltou tempero para dar mais sabor e justificar os preços um tanto 'salgados'. No site é possível conhecer as opções do cardápio.
           Não fomos ao bar, mas creio que seja uma boa opção, pois estava bem cheio, também li vários elogios sobre os petiscos e a harmonização sugerida no cardápio. Um sugestão mais descontraída em relação ao restaurante. 
             Boa viagem e bom apetite!
Cervejaria Bohemia
Serviço
Site: https://www.bohemia.com.br/tour 
Horários
- Segundas das 11h às 16h (em alta temporada)
- Terças a quintas das 12h às 17h
- Sextas e domingos das 10h às 17h
- Sábados das10h às 18h

Valores: R$ 39 (inteira); R$ 19 (meia)
Cervejaria Bohemia
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