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11 de maio de 2011

De Turista a Viajante, por Heitor Pergher

Caricatura com turistas.
Recebi do Heitor um comentário que me deixou primeiro curiosa e depois muito feliz pelo blog “De Turista a Viajante” servir de inspiração para um texto tão bem escrito. Abaixo segue o texto que foi publicado originalmente no blog “Around de World” onde eu também viajo. Visitem e se encantem.

"Há quem diga que não há diferença. Ok, mas discordo! Entendo que uma análise desatenta pode nos levar a acreditar que esses dois termos possuem o mesmo significado, mas garanto que não têm. Um turista difere, e muito, de um viajante. Verás, jovem iniciante ou experiente apreciador de viagens; deves bem compreender a diferenciação entre esses dois termos e, com sorte, enquadrar-te-á num deles.
Talvez um dos maiores motivos causadores dessa imprecisão sejam os próprios dicionários em geral. Segundo o Dicionário Priberam on-line, o significado do termo “turista” é:

“turista s. 2 gén. Pessoa que viaja por diversão ou recreio dentro ou fora do país.”

Já o termo “viajante”, definido pelo mesmo dicionário:
“viajante (viajar + -ante) adj. 2 gén. s. 2 gén. pessoa que viaja.”

Deves estar te perguntando: “- Por que distinguir dois termos que nem mesmo o dicionário faz questão de diferenciar adequadamente?”. Não há dúvida de que a definição apresentada é insatisfatória. A distorcida acepção do dicionário subentende que somente o turista viaja por prazer.
Bem, o autor certamente não se aprofundou suficientemente sobre esse assunto! A distinção entre os termos não se resume a haver diversão ou não no ato de viajar.
Acredito que o estudo de casos práticos seja a melhor forma de se abordar essa distinção. Exemplificando: o “viajante”, quando decide visitar os Estados Unidos, define sua destinação por ter ouvido falar sobre um incrível local no interior do Estado de Nova York ou pela exuberante beleza natural de Connecticut, por exemplo. Nada de excepcional... compra sua passagem on-line, sem intermédio da agência de turismo. Ao chegar, aluga um carro e se dirige ao seu albergue – localizado em Nova Jersey, já que os de Manhatam são caríssimos. A hospedagem, da mesma forma, é planejada diretamente pelo viajante. Descarrega suas malas e sai quase que imediatamente para fazer alguma coisa, havendo planejamento ou não. Fica alguns dias em Nova York e depois parte. Vai de carro à Washington, D.C, Delaware e outros Estados pouco conhecidos. Não deixa de ver o importante, mas o usual e o corriqueiro também lhe agradam.
O fator motivador do passeio aos Estados Unidos do “turista” é aquela brilhante e chamativa vitrine da agência de viagens, estampada com fotos da Disney e da Estátua da Liberdade. O destino escolhido, obviamente, é a Flórida. Único Estado Americano existente para o turista brasileiro. Para ele, é lá onde ficam o Grand Canyon, a Estátua da Liberdade, os parques temáticos da Disney e todas as outras atrações dignas de visitação. Acerta toda a viagem nos mínimos detalhes com a agência de turismo, evitando qualquer responsabilidade sobre o planejamento. Tudo será delineado para o melhor aproveitamento possível do tempo durante sua estadia. Não terá tempo nem para cagar!
Ao chegar a Orlando e descobrir que a Estátua da Liberdade não se localiza na Flórida o turista se irrita profundamente e ameaça processar a agência por propaganda enganosa e danos morais. Seu tour pelos EUA se resume aos parques da Disney World e a visitas ao Walmart, bestbuy, Radioshack, dentre outras. Dificilmente tem contato com algum americano, já que anda sempre “escoltado” por seu guia turístico. O hotel em que fica hospedado é de no mínimo quatro estrelas, estrategicamente localizado próximo aos parques. Atração à parte! O turista viaja com a intenção de aproveitar ao máximo a comodidade oferecida, e só as vezes lembra que está lá para conhecer o país também...
Como podes ver, ser turista tem suas vantagens! Comodidade é uma delas. Então, se consideras o conforto qualidade primordial de uma boa viagem és um turista. Uma vez, me disseram que quanto mais estrelas o hotel possui mais distante o viajante ficará de conhecer a população local. E isso é a mais pura realidade! Os hotéis luxuosos seguem o mesmo padrão em todo o mundo e normalmente a cultura local é ignorada e distanciada do hóspede.
Assim sendo, o “viajante”, sedento por cultura local, se hospeda em albergues, mesmo que tenha de dividir o quarto com outras pessoas, sacrificando o seu próprio conforto. Na verdade, dividir quarto pode ser muito recompensador, já que as pessoas que estarão com você trarão vasta bagagem de experiências de todos os cantos do mundo.
Não desprezo a figura do turista. Pelo contrário, todos nós já fomos um algum dia! É como que uma fase inevitável. Deve ser superada para se atingir o tão almejado título de “Viajante”. Porém, fica a dúvida! Como ter certeza se sou “turista” ou “viajante”? Bem, acredito que quando perceberes que não mais tens medo e não mais dependes de ninguém para deixar o país, terás certeza que passaste de turista a viajante."

2 comentários:

  1. Oi Silmara,
    Nossa..adorei o post!!Ri muito e descobri que sou viajante mesmo. Quando viajo sempre faço o meu roteiro, compro as passagens pela internet e também faço as reservas no hotel...a viagem começa desde a escolha do destino e roteiro...é muito bom!!!Beijocas

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  2. Ahhhh legal Silmara!! gostei de ver! que legal que postaste o texto aqui! fico honrado! valeu

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